4.10.06

O estado da Arte (II)















A problemática da definição de Arte pode chegar ao ponto de considerarmos essa definição baseada na ausência de regra. Ou seja, definindo-a como uma acção humana desprovida de regulamentação, numa atitude anarca.
Poderão dizer-me que a ausência de regra pode constituir-se, por si só, como a própria regra da Arte. Mas se me permitem discordar, entramos ai num paradoxo terrível que faz lembrar Nietzsche e à sua negação da “verdade” que advém, por sua vez, da afirmação de que o diz nessa mesma “verdade”.
Ora, a anarquia entra precisamente na mesma contradição quando, partindo do pressuposto da boa vontade do Homem, apresenta a desnecessária hierarquia como sinal da ausência da regra e, consequentemente, da própria negação do sentido de Povo. Ninguém conduz ou se deixa conduzir, esquecendo a capacidade de liderança e a virtude da obediência.
Na Arte o caso torna-se particularmente grave já que, de forma tantas vezes velada, a modernidade acaba não por ser sinal da livre iniciativa de quem a faz, mas da degeneração da essência das coisas. Por outro lado, a instalação da negação da regra cria uma ditadura do pensamento tantas vezes criticada aos cânones estabelecidos. Quem for minimamente revivalista das escolas mais antigas é apontado como reaccionário cego, contracorrente, tantas vezes contra natura. Só que os que o fazem não entendem, ou não querem perceber, que a Natureza da Arte é por si e em si, e não uma invenção sistemática do Homem.
Tomemos o exemplo da definição de Beleza e percebemos o que está em causa. Ou será a Beleza mera apreciação subjectiva? É que se for, teremos de considera-lo igualmente para o Bem e para o Mal e não me parece, sinceramente, que queiramos entrar por ai. Felizmente, ainda não o queremos, embora já se vão notando sinais suficientemente perturbadores disso! O aborto é paradigmático.

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