25.10.06

Da luta

Das opiniões que vão surgindo na blogosfera sobre estas duas "casas", que em bom tempo surgiram por um apelo que urge fazer para a vitória do Não no referendo ao aborto, distinguem-se as apreciações por conotações mais ou menos precipitadas.
O blog do não tem sido levado em conta como um espaço de moderados, bem pensantes da sua causa, e que, com jeito, pode fazer surtir algum efeito. Pelo contrário, o PELA VIDA começa a ser apontado como um espaço de extremismo, radicalismo cego, de fraca argumentação e nervos à flor da pele.
São óbvias as diferenças entre os blogs - quem não as vê é porque ainda não os leu com atenção. Mas os rótulos parecem-me bastante infundados. É certo que no PELA VIDA há uma maior concentração de opiniões respeitantes a profundas convicções religiosas, filosóficas ou políticas. Talvez seja por isso mesmo que o seu discurso se aparente, para alguns, desprovido de fundamentos sólidos. No entanto, se não entendermos certas reacções nos seus postais como resultado de uma também profunda revolta quanto ao estado de coisas, não perceberemos completamente que motivações movem os que escrevem. Quanto maiores são as certezas, maior se torna a incompreensão relativamente ao aborto. E não será isso, só por si, compreensível?
No PELA VIDA surge igualmente um forte protesto, ainda a desenvolver, contra a sociedade dos moralistas. Queremos sim, antes de mais, uma sociedade da Moral. A Ética não é coisa volátil que se deixe à consideração individual. É uma Verdade absoluta, imutável, que mantém a boa parte do nosso sistema penalizador pela sua infracção. Se assim não fosse, não era Ética... seria outra coisa qualquer. Não se queira também - como penso ser de fácil entendimento - liberalizar o roubo, o homicídio e coisas afins, pelo que se poderão considerar coisas relativas à consciência de cada um em decidir se se tratam ou não de prática condenável.
No PELA VIDA encontram-se também alguns dos que, segundo a Fé, não encaram, nem podem encarar, a questão do aborto como lateral à religiosa. Seria, no mínimo, afirmar que a comunhão da Igreja com a Moral não se dá no plano da sua defesa, promoção e consolidação.
No PELA VIDA não tememos a fusão de várias correntes de pensamento. A situação é grave o suficiente para entrarmos em contradição com alguém que, defendendo a Vida, não professa o nosso credo.
No PELA VIDA a luta é de espírito combativo, porque não agressivo?

É na forma, talvez nas causas, mas nunca nas consequências que os dois blogs diferem: todos queremos impedir a barbárie.

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