17.10.06

Faz falta fazer sentido

Estamos cheios deles. São “capitalistas selvagens”, no linguarejar de um bom amigo que “correr só atrás do dinheiro”, tecnocratas de tudo (a qualquer coisa aplicam um bom – ou mau – orçamento), vazios de espírito que enforme a actividade animal da lógica de mercado com lucro elevado, em último caso visionários do fim das possibilidades técnicas, esgotadas que ficarão… mas eles querem lá saber disso. Também se conta que o Sol há-de explodir daqui a 5000 anos e ninguém deita as mãos à cabeça. O futuro é lá longe, há que viver num carpe diem

Bem sei que o dinheiro a entrar na bolsa sabe bem, pois sabe. Sabe bem a toda a gente. O que arrepia o paladar das coisas sociais e políticas desta pátria moribunda é constituir-se como um fim em si. As pessoas querem “algo que dê”, dizia-me a senhora dos subsídios estatais à criação de empresas.
Mas querem para quê? Dinheiro para quê? Para fazer o quê? Viver desafogado porquê? Para aplicar em quê? Fazer render em que sentido?
“Ahhh mas as pessoas querem dinheiro, pensam lá nisso”…

Mas deviam pensar. Faz falta que pensemos no sentido das coisas. No sentido de tudo.
Perdeu-se, toda a gente o sabe (corro o risco de incorrer em falácia), a noção do objectivo das acções e da mutabilidade temporal… do sentido do futuro. E caímos na Saudade do que nunca fomos! É essa a verdade!
Saudade de ter dado um sentido à técnica que não fosse ela própria a atribuir-se um falso destino que nela começa e acaba. E no fim, talvez haja choro e lamentação de ter tudo terminado sem que nada se construísse. Uma consciência tardia do progresso sem desenvolvimento? Quem sabe!

A certeza é a de que caíram os Valores mais altos e imutáveis, ainda que só nas mentes doentes dos que as fingem ignorar. Quem os levanta?
Percebo por onde passo, paro e penso, por vezes converso, que a literatura de outrora está mais que lida e relida, citada de cordis, apreendida no que se defende nos poucos redutos lusos. Sinto, no que me apercebo, da vontade e exigência de fazer o sentido que outros fizeram então. Da saudade, talvez, de reavivar outros tempos na adaptação dos métodos à actualidade. Criar uma ‘escola’, formar um grupo, programar qualquer coisa… caramba, mexer o cú acomodado da poltrona onde bebemos o que a resistência e a história nos deixaram, para sair à “rua” e fazer, enfim, algum sentido…
Portugal precisa urgentemente disto, como enfermo precisa da última unção para revigorar a alma. Faz-nos falta devolver o sentido à Nação!

2 Comentários:

Blogger Paulo Cunha Porto disse...

O problema, Meu Caro Simão, é que não tenho fé nos empreenduimentos colectivos. Pessoas das mesmas áreas, exalando simpatia umas pelas outras, quando empenhadas numa tarefa comum tornam-se incompatíveis, susceptibilidades feridas por todo o lado. É triste, mas foi o que a experiência me mostrou.
Abraço.

20:10  
Blogger Simão dos Reis Agostinho disse...

É impossivel haver uma união completa, mas há vontades que se cruzam. O movimento monárquico é o exemplo disso.
Bom seria que a comunhão fosse tal que fizessemos reviver o fervor da Junta, não é? Penso que a medio prazo seria possivel, com as devidas diferenças conjunturais. É uma Esperança.

abraço

21:33  

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