5.10.06

Monarquia de Futuro

A monarquia calou-se em Portugal. Fechou-se num casulo que ela própria teceu na inoperância das ideias que alguns ainda cultivam. Um isolamento forçado, dirão alguns. Uma solidão auto imposta, penso eu.

O “movimento” monárquico luso caracteriza-se pela estagnação. Ninguém faz nada a não ser cultivar alguns jantares conjurados e poucos cerimoniais revivalistas. A par disto, a “acção” real começa e acaba nos congressos inúteis de charuto na mão.
As reais associações não existem a não ser no papel. Aquelas extensões locais da Causa Real mais não são do que tentáculos mortos de um polvo de cabeça vazia. Não há ideias, apenas convicções pseudo-intelectuais ou herdadas da família.

Ao ouvir Cavaco Silva discorrer sobre a ética republicana, mais não recordei se não o liberalismo monárquico. Chama-la ao pós 5 de Outubro de 1910 é tão ridículo como afirmar, como hoje se tem vindo a ouvir, que ela foi a aspiração primeira da instauração do princípio do século.
E o problema é que já ninguém acredita nisso, facto provado esta manhã na Câmara de Lisboa. Aliás, o próprio presidente o assume na corrupção incontornável a que o regime tem levado as instituições.

Se o movimento real em Portugal estivesse bem oleado teríamos no 5 de Outubro um dia favorável, cada vez mais, à descredibilização em praça pública do que nessa data começou. Tão simples como a 1ª republica ter sido assassina, a 2ª autoritária e a 3ª corrupta. Mote fácil de pensar e pôr em prática, mas que não convém à falta de pachorra dos que são “voz” oficial da “acção sem efeito”.

Aos monárquicos de craveira que escrevem pela blogosfera assalta um sentimento comum: onde anda esta geração?
Pergunto-me igualmente onde param as ideias novas da restauração e, se não as há, a causa da sua dolorosa ausência.
Ficaremos presos na literatura de outrora que lemos no quente das nossas casas, ou escreveremos para nós e para os que virão? Que legado deixaremos? Que contributo nos damos? Enfim, que mensagem passamos: a velha dos alfarrábios esquecidos nos anos, ou a revitalização dessas ideias para o futuro que queremos começar no presente?

4 Comentários:

Blogger FSantos disse...

Um belíssimo texto. Às pertinentes interrogações que coloca tenho dificuldade em responder. Estaremos nós vítimas da inacção que também contribuiu para a queda da Monarquia?

16:07  
Blogger Simão dos Reis Agostinho disse...

Caro FSantos, penso estarmos vítimas de nós próprios. Resta saber para quando nos juntamos para resolver a formula do remédio!
abraço

16:55  
Blogger Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro Simão:
Infelizmente o dilema de se partidarizar ou não deu um partido monárquico usurpado e uma rede associativa que por demasiadamente constituída sob a égide do Herdeiro do Trono, não pode nem deve participar na luta politiqueira.
A intervenção deve caber em primeira linha a indivíduos, de modo a conseguir uma unidade doutrinal que possa, no Futuro, constituir a base doutrinal de uma elite governativa.
Há que não ter pressa e prosseguir o esforço que cada um de nós desenvolve.
Abraço.

17:00  
Blogger Simão dos Reis Agostinho disse...

Caro Paulo
Tocou num factor essencial da questão: a ligação da Causa a D. Duarte impede muita da sua acção. Custa admiti-lo, bem sei, mas há que faze-lo. Tenho sempre defendido a criação de um movimento desligado do patronato do Rei.

abraço

17:48  

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