16.11.06

O dia e a noite

Duas entrevistas simultâneas, a de Pedro Santana Lopes e a de Aníbal Cavaco Silva (RTP e SIC, respectivamente), mas com pouco em comum. Talvez nada.
De um lado, Santana é um homem magoado, julgado em praça pública pelo "cor-de-rosa" do social, ridicularizado por ser quem é. Vítima do ataque ad hominem. Do outro, Cavaco Silva é um emparelhado do sistema, governante sem o ser, defensor de uma estabilidade governativa que ajudou a montar. O primeiro fala abertamente, sem receios, na sua fluente calma de conversa de café que não incompatibiliza, jamais, um porte educado, cordial e nada ofensivo (ao contrário de Carrilho, claro está). O segundo está vendido - ou vende - à ética republicana, ao combate à inevitável corrupção da república, à ilusão de presidir todos os portugueses e à estratégia do governo (a sua estratégia).
E pouco mais há a dizer que não seja: não gosto dos dois, mas prefiro um deles. As razões são óbvias.

ps: Duas afirmações do Presidente da República: "O PR não comenta livros nem notícias"; "Não somos, contudo, um país de corruptos". Que fique registado para memória futura.

3 Comentários:

Anonymous António Bastos disse...

Mais uma vez concordo inteiramente. Creio que a principal acusação que se pode fazer a Santana Lopes é a de ter aceite formar governo em condições profundamente humilhantes num país em quase histeria colectiva devido à pantominice do militante do partido socialista que na altura desempenhava o papel de presidente desta república, a que a carbonária nos condenou. O referido militante do partido socialista manteve o país em "águas de bacalhau" durante 14 dias enquanto se assistia a uma romaria republicana socialista e laica para ir aconselhar "sua majestade" que se mantinha em permanente meditação transcendental. Patético tudo isto! Para que serve uma instituição totalmente inútil que nos custa "couro e cabelo"?
Cavaco está efectivamente vendido ao regime e a sua conduta para com Santana Lopes é inqualificável, tudo isto para se ir sentar no "trono de pechisbeque" da república, como diria Camões "Oh glória de mandar oh vã cobiça!"
Santana demonstrou um fair-play notável ao não guardar rancor para com os que o apunhalaram sordidamente.
Obrigado, Simão, por este post tão oportuno!

20:44  
Blogger Simão dos Reis Agostinho disse...

Caro António

Antes de mais, obrigado pelos e-mails que me enviou. Remeterei resposta quando o meu tempo folgar mais.

A jogada de Sampaio era óbvia. Lembro-me de uma vez, logo a seguir à dissolução, ter apresentado a teoria e ter sido mal compreendido. Mas o que se passou, de facto, foi que Sampaio não dissolveu antes para deitar por terra a má liderança socialista e dissolveu depois para a renovada sede do Rato subir ao poder. No meio disto tudo temos Santa Lopes (cujo perfil político e pessoal nem me agradam nada), vítima do que de pior tem o sistema republicano. Para ajudar à festa, Cavaco deu uma mão à desgraça do então primeiro-ministro - a celebre crónica da boa e má moeda - já com os olhos postos em Belém. Ou não quisesse o actual PR estar ao lado de Sócrates que, mesmo frequentando a sede rosa, é de ideologia puramente social-democrata, tal e qual Cavaco. Porque pensa que o PS apresentou Soares às eleições? Porque sabia que não iria ganhar, claro está!
A entrevista de ontem do PR foi um apelo, descarado, à estabilidade do que montaram e conseguíram. Talvez agora perceba a ridicularizada cantilena de campanha de Santana, aquela do "menino guerreiro".

abraço monárquico

21:01  
Anonymous António Bastos disse...

Exacto! O Mário Soares, contrariamente aquilo que foi veiculado, não está "gá-gá" e foi lá para dividir o eleitorado mais à esquerda e, desta forma, ajudar a assegurar a victória do candidato do "Bloco Central" do nosso descontentamento: Cavaco Silva. Já várias vezes expuz esta ideia perante várias pessoas que a acharam demasiado rebuscada e surrealista. Foi, pois, com enorme satisfação que constatei que há mais "loucos" como eu que a defendem. Quando penso no "empenho" do Sócrates na campanha do Mário Soares, que magnífica encenação! A quantidade de pessoas que engoliram a patranha, mesmo pessoas de grande inteligência!
Tudos isto mais não são do que tentativas frustes de salvar o insalvável, isto é, este maldito regime jacobino que nós tanto abominamos!
Um abraço

00:34  

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