9.2.07

Um Não que vale por mil Sim's

Abortar mata.
É desta certeza que desenvolvo toda a minha aversão à lógica referendária em que nos inscreveram. É uma repulsa visceral que, neste último dia de apelo ao voto, sinto necessidade extrema de publicar. Nem ficaria bem comigo se, depois do que escrevi, pudessem restar quaisquer dúvidas sobre a minha posição. E confesso-vos que ainda ando a remoer se uma ou outra intervenção minha tiveram o efeito que lhes confiei.

Dizem que votar Sim é jovem. Primeira falácia comprovada em mim mesmo e em tantos outros que, convencidos das verdades que enformam uma moral superior, têm dado a juventude à causa da defesa do que mais vale entre nós: a Vida. Somos muitos, milhares de pessoas em ainda pueril idade, que olham o futuro de um país e de uma civilização com a esperança que se nos exige. A esperança de que todos os condicionalismos que levam hoje à morte prematura de um Ser Humano sejam um dia ultrapassados e lembrados como passado. Dizemos nós, jovens audazes que acreditamos no que há-de vir, que queremos lutar para que nenhuma mulher tenha de optar abortar. Esse sim é o nosso objectivo. Esse sim é o nosso Sim!

Que país é este, que sociedade construímos, que não tem amor para dar, que não sabe acolher a mais bela manifestação da Vida, o mais precioso dom? Que país é este que oferece o mal de bandeja, enfeitado de técnicas avançadas na modernidade da ciência de matar? Que país é este que se torna hipócrita ao ponto de enganar as mulheres, fazendo-as de vitimas, encaminhando-as para salas de aborto assistido como se a solução dos seus males passasse por voltar à estaca zero? Que país é este que fomenta essa estaca zero, como se nada se tivesse passado, reenviando as grávidas à sua vida de outrora, com os mesmo dramas que ficaram por resolver? Que país é este que põe isto a referendo?

Nunca um Não foi tão positivo. Positivo por acreditar e querer responsabilizar quem de direito perante as causas que levam ao aborto e que estão por resolver. Positivo por não medir o valor da Vida pela adjectivação criminosa que muitos têm proferido. Positivo porque nega a resignação de uma sociedade desnorteada, sem nada mais que a enquadre a não ser a utilidade do momento.

Votar Não é um Sim à Vida, ao futuro, à civilização e, sobretudo, a nós.

1 Comentários:

Blogger Filipe Madrugo G. disse...

Neste dia que atencede o da reflexão, reflictamos pois sobre a significação do valor da vida. Sim, aqui todos sabemos que com esta e apenas esta frase, que poderia desembocar na defesa do valor tão inalianável da vida, o epiteto de hipócrita, se solta na boca daqueles que nem consideram mãe a mulher grávida de dez semanas.
Mas não nos detenhamos no valor da vida, não, não nos detenhamos na possibilidade de oferecer à mulher/mãe qualidade de vida, não nos detenhamos na qulidade posterior que o serviço nacional de saúde prestará ao ser feminino, não eneverdemos ainda pela defesa economicista dos impostos e portanto capitalista e portanto direitista e portanto faxista e portanto salazarista e portanto daqueles que votam não ao aborto e depois votam no professor Salazar para grande vulto da Pátria.

Aqui subjaz um e só um argumento, o do país cor-de-rosa!!

Nunca pensei dizer isto, mas di-lo-ei com a mesma franqueza de quem não é socialista. Eu quero sim, um pais cor-de-rosa, onde a juventude, essa massa societal sobejamente estudada e alvo dos mais diversos inquéritos, parecem é verdade, demonstrar a importância da convivialidade informal associada a éticas de consumo, diversão e estilos de vida onde o lúdico poderá ser eminentemente mais light. Enfim os escolhos de um pós-modernismo efémero e flutuante, gerador de premanetes dúvidas e tendências.

Afinal qual o novo paradigma?

Vamos comprar um telemóvel novo no dia 11, vamos adquirir um computador com o Windows Vista, vamos fazer um download do Rouxinol Fadunxo e comprar um cão de loiça lá para casa, ou vamos subsituir-nos à mão criadora???

Depois diramos, mas não há má nada!!

15:58  

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