21.1.07

Barracas televisivas

Muito se tem dito e escrito sobre a saga do concurso, já de si bastante ridículo, dos “Grandes Portugueses”. Foi algo que desde logo nasceu torto, entre outras razões, por se querer apresentar uma visão da história de Portugal do século XX conforme aos cânones do regime actual, ao suprimir uma personagem incontornável desse período, independentemente da opinião que se tenha dele: António de Oliveira Salazar. Pergunto: não teria sido tudo muito mais simples se, com toda a naturalidade, este tivesse sido incluído desde o início na referida lista a concurso, à qual tem todo o direito? Querer reescrever a história a seu proveito, algo que os vencedores sempre fazem, é um acto prepotente e estúpido. Ocorre-me neste momento uma frase de Orwel: “Quem controla o passado de um povo controla o presente e o futuro”. Porque será que um regime que se tem em tão grande consideração e se considera dotado de todas as “virtudes”, como de resto estes 32 anos o provam, tem necessidade de recorrer ao “historicamente correcto”? O que tem a temer? Apesar de toda a diabolização, o antigo Presidente do Conselho durante a II República consegue um resultado que, pasme-se, supera largamente o dos “grandes estadistas abrilinos”. Que mistério! Será que o povo ensandeceu? Ou é mal agradecido para com os que o libertaram da “longa noite fascista”? Será que aqueles tão ciosos das prerrogativas do “povo soberano” se esquecem de que a Constituição da II República (República Corporativa Portuguesa de 1933) até foi referendada contrariamente à actual Constituição da III República (aquela que nos leva a caminho do socialismo e da construção de uma sociedade sem classes)?
Outro aspecto que, como monárquico, me agrada é o facto de, entre os 10 finalistas e, à excepção de Salazar, Cunhal (devido à mobilização dos comunistas), Pessoa (por ser um poeta) e Aristides S. Mendes (por ser em grande medida um mito construído), todas as outras personagens são do tempo da monarquia, o que é normal porque foi sob a Instituição Real que Portugal se formou. Qual o legado do actual regime para as gerações futuras? “Elefantes brancos” (estradas, “Expôs” 98, estádios, Casas da música, etc. …) cuja construção serviu, em grande medida, para transferir bens públicos para a posse de privados ligados evidentemente à partidocracia. Como escrevia outro dia o meu amigo Simão: “quando é que fechamos o circo?”

3 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Mais uma excelente crónica do António.

Parabéns e um abraço

O Corcunda

11:16  
Blogger pvnam disse...

“quando é que fechamos o circo?”


-> Um 'país' que deixa de proceder à Renovação Demográfica... e que opta por mudar a Lei da Nacionalidade - para mais facilmente nacionalizar imigrantes -, não é um país... mas sim... uma mera Formalidade Burocrática!
{ nota: os naturalizados (...) são Predadores Insaciáveis -> ambicionam Ocupar e Dominar mais e mais novos territórios }


SEPARATISMO NA FORMALIDADE BUROCRÁTICA:
[antes que seja tarde demais]
---> É urgente assumir a ruptura total com a Parasitagem Branca:
-1- que adora mão-de-obra servil imigrante ao 'preço da chuva';
-2- que fala em pensões de reforma... mas... não fala em pagar os (elevados) custos de renovação demográfica
---> É urgente constituir um movimento a nível europeu (por toda a Europa) ... no sentido de reivindicar o legítimo Direito ao Separatismo Étnico Autóctone (a divisão dos 'países'):
------» 1) um espaço ( 50% ) de Competição Global: será um espaço para os 'Globalization-Lovers';
------» 2) outro espaço ( 50% ) de Reserva Natural: será um espaço destinado à preservação/sobrevivência das Identidades Étnicas Autóctones.

12:15  
Anonymous Cristina Ribeiro disse...

Parabéns.Escreveu aquilo que não escrevi,por me faltar o talento,mas com que concordo por inteiro!

18:35  

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial