23.10.08

Os moderados

Um dos capítulos do livro que já aqui referi várias vezes e de que tanto gostei refere-se ao papel desempenhado pelos católicos liberais na “construção” europeia. Basta pensarmos nas duas figuras emblemáticas deste processo imbuído de ideologia laicista e, por isso, de descristianização, Konrad Adenauer e Jean Monnet. Um episódio interessante que nos é contado em relação ao primeiro e ocorrido em 1923 em Munique revela bem a sua postura política. Participando numa reunião de católicos durante a qual um cardinal, Faulhaber, exprimiu a sua tristeza pelo fim da monarquia, Adenauer, que presidia à reunião, levantou-se e afirmou “Compete-nos a nós católicos defender a República”. Isto causou um enorme escândalo e quase levou o referido cardinal a abandonar a sala. O que será que leva homens e mulheres de grande inteligência a deixarem-se “contaminar” pelo Mal tornando-se assim, e passo a citar, “vectores de contra-valores cristãos? Esta inversão dos fins como consequência do desvio de origem do seu pensamento em relação ao modelo o qual PENSAM inspirar-se, revela-se na sua incapacidade em apreender a mecânica própria das estruturas que lhes escapam.” Um autor que é referido no artigo (seria inevitável diria eu) e que teve um papel fundamental neste diluir das consciências, confundindo-as e tornando-as permeáveis a uma espécie de “messianismo profano”, foi Jacques Maritain. Foi em grande medida graças a este último que muitos católicos se “converteram” às teses funcionalistas e federalistas que tendem para a despolitização da Europa em detrimento da economia. Mas acima de tudo, e por extrapolação, o que este artigo me levou a pensar foi no papel desses mesmos católicos liberais cá em Portugal, não na queda da República Corporativa para a qual não contribuíram se bem que a desejassem, mas para a consolidação da actual República jacobina. Creio que a 1ª manifestação visível da sua existência foi a célebre vigília na Capela do Rato contra a “guerra colonial” e que na altura causou grande controvérsia. Este gesto é bem revelador da sua “contaminação” pelo Mal, e que se traduziu por uma grande hemiplegia moral visto que perante o horror dos massacres de 1961 estas alminhas não “tugiram nem mugiram”, estando apenas preocupadas com os “crimes” cometidos pelo nosso exército no contexto do conflito de pacificação dos territórios ultramarinos. Muitos destes “católicos” estão igualmente na origem da “Ala Liberal”, cujo surgimento apenas foi possibilitado pelo desaparecimento do Prof. Salazar, e que mais tarde vieram a fundar a o PPD/PSD (e respectivas dissidências como a ASDI) e o CDS/PP ou a ingressar no Partido Socialista formando aquilo a que mais tarde se veio a designar por “ala guterrista”. O próprio Prof. Cavaco Silva, que neste momento preside a esta república a que nos condenaram, é um belo exemplo do que acabo de referir, bastando para tal pensarmos no seu infrene entusiasmo “europeísta” ou na forma como comemora, tal como o socialista de triste memória Jorge Sampaio o fazia, a tomada do poder pela rapaziada da carbonária. É o PSD em todo o seu esplendor, o tal partido “laranja por fora e vermelho por dentro”. Muitos mais exemplos poderiam ser dados mas não vale a pena ser exaustivo.

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